Covenanter

Pela Coroa de Cristo e pelo Pacto

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5 de outubro de 2026

Calvino era um patrono da doutrina da subsequência? Uma reivindicação da interpretação de Calvino sobre Mateus 3:11 contra as distorções do senhor Eduardo Marques

Há algum tempo, foi publicado no canal do YouTube deste perfil um vídeo com o propósito de mostrar a falsidade das afirmações do senhor Eduardo Marques com relação à doutrina da subsequência, aos reformadores e aos puritanos.

O senhor Eduardo Marques, em mais uma de suas tentativas de emporcalhar a Reforma com sua mentalidade pentecostal, propôs-se a demonstrar, em um vídeo, por meio de várias citações de puritanos e do reformador João Calvino, que neles já se podia ver a tal doutrina da subsequência, doutrina essa que, no dizer dele, “depois foi melhor desenvolvida por John Wesley”.

Em que consiste basicamente essa doutrina? Consiste em dizer que, após os crentes serem regenerados, eles recebem uma segunda bênção, que consiste no batismo de fogo para purificação etc.

O texto-chave para essa controvérsia é Mateus 3:11, onde se fala sobre o batismo do Espírito Santo e fogo.

Por meio de comentários sobre esse texto e outras citações que falam do Espírito Santo como fogo em Calvino e nos puritanos, ele tenta demonstrar que os autores em questão não concordavam que o fogo de Mateus 3:11 se refere à regeneração, mas que o texto mostra duas coisas: a regeneração — batismo com o Espírito Santo — e uma segunda bênção, que viria depois aos crentes para torná-los mais santos: o fogo.

No vídeo já mencionado no começo, publicado no canal do YouTube deste perfil, é demonstrado o quanto essa interpretação é falsa, por meio de uma análise correta dos textos dos próprios autores citados pelo senhor Eduardo Marques e comparando-os com outros comentários bíblicos dos mesmos autores sobre o mesmo assunto em outros textos.

Quem quiser assistir ao vídeo na íntegra, é só procurar no canal do YouTube “O Covenanter”.

Meu interesse nesta publicação não é demonstrar, por meio de uma análise do contexto de Mateus 3:11 e das citações mencionadas, que essas afirmações do senhor Eduardo Marques estão erradas. Não temos espaço aqui para tudo isso, e essa análise mais minuciosa já foi feita no vídeo mencionado.

Meu interesse com esta publicação é apenas complementar o que já foi dito naquele vídeo com uma citação extraída de um sermão em Mateus 3:11 do reformador João Calvino sobre esse assunto e que demonstra que esse absurdo de doutrina da subsequência estava bem longe da mentalidade do reformador:

“Quando se diz que ele batizará com o Espírito Santo e com fogo, isso não significa que sejam duas coisas diferentes. A palavra ‘fogo’ é como um título dado ao Espírito Santo. Às vezes, Ele também é chamado de ‘água’. Não água em sentido físico: trata-se de uma figura de linguagem.

Assim, quando as Escrituras dizem que o Espírito Santo age como a água em nós, isso se deve a dois motivos. Lemos em Isaías: ‘Vocês que estão com sede, venham às águas, e eu os satisfarei plenamente’ (Isaías 55:1). João, em seu Evangelho, mostra o significado desse versículo, pois ali o Senhor declara que isso se cumpriu em sua própria pessoa (João 7:37).

Aqui está a confirmação do ponto que mencionamos há pouco, de que somente Jesus Cristo dá o Espírito Santo. Portanto, quando o Espírito Santo é comparado à água, é porque somos estéreis; somos miseráveis sedentos e famintos que desfalecem a menos que recebam força e sustento do Espírito Santo. Essa é uma das razões pelas quais o Espírito é chamado de ‘água’.

Outro motivo encontra-se em Ezequiel, onde o profeta diz: ‘Derramarei sobre vós água pura e limpa, e ficareis purificados’ (Ezequiel 36:25). O que ele quer dizer é que todos nós estamos impuros e completamente corrompidos diante de Deus, e que a única maneira de sermos purificados é Deus nos lavar com água pura.

Não podemos, por nossas próprias forças, remover a sujeira e a impureza que nos tornam abomináveis aos olhos de Deus. Ele precisa fazer isso por nós. Como? Através de Seu Espírito Santo. Por essas duas razões, então, o Espírito Santo é chamado de ‘água’.

O mesmo se pode dizer do Espírito quando, como aqui, Ele é chamado de ‘fogo’. Assim como o fogo consome toda a escória e purifica tudo o que é impuro, essa mesma obra é realizada pelo Espírito Santo em relação às nossas almas.

Em nós só existe pecado até recebermos a purificação dEle. O que são todos os nossos sentimentos e desejos senão imundície e vileza? Não podemos, como eu disse, nos purificar; Deus precisa operar em nós com poder. É por isso que o Espírito Santo é fogo. Precisamos voltar ao forno quando Deus escolhe nos renovar.” (In the Power of the Spirit, John Calvin).

Antes de encerrarmos, gostaria de deixar algumas breves considerações:

1. Calvino claramente não concorda com o que o senhor Eduardo Marques tenta impor a ele. Para Calvino, não há uma divisão entre o batismo com o Espírito Santo para regeneração e um batismo de fogo posterior como segunda bênção. Como ele claramente diz no começo da citação: “Quando se diz que ele batizará com o Espírito Santo e com fogo, isso não significa que sejam duas coisas diferentes.”

Portanto, o senhor Eduardo Marques só fica com dois caminhos nesse texto. Tendo em vista que, para Calvino, o texto não fala de duas ações ou obras, mas de uma só, então Calvino só pode estar defendendo uma de duas coisas: ou ele está defendendo que o texto está falando da regeneração, ou ele está defendendo que o texto está falando da segunda bênção.

A segunda bênção não pode ser, pois Calvino defende que o texto fala de uma obra só. Então, como ele poderia estar defendendo uma segunda bênção, se ele nem reconhece a existência da primeira? Qual é a lógica de se defender uma segunda coisa sem ter recebido uma primeira anteriormente? Logo, Calvino só pode estar defendendo a regeneração.

2. Toda a linguagem de Calvino demonstra que ele entende esse texto como tratando da regeneração. Ele fala da necessidade extrema de purificação, da nossa falta de força para essa obra e da necessidade de um agir soberano de Deus; e, principalmente, ele fala que, quando o Espírito Santo vem para purificar as nossas almas, em nós só há pecado.

Ora, ou Calvino aqui está falando da regeneração, ou ele está defendendo essa segunda bênção e fazendo a mais terrível confusão entre o coração de um ímpio e o coração de um regenerado.

Pois, por mais que ainda exista pecado nos crentes — e ainda haverá até a glória —, existe uma diferença gigantesca entre uma alma regenerada e uma alma em estado natural. Os crentes são renovados segundo a imagem daquele que os criou, são vestidos com o novo homem que é criado em justiça e verdadeira santidade (Colossenses 3:10; Efésios 4:24). Mas a descrição que Calvino faz aqui é de um coração totalmente corrompido.

Logo, se ele estivesse defendendo a tal segunda bênção, a regeneração se tornaria praticamente inútil, pois ela viria antes, e a tal segunda bênção ainda encontraria o coração nesse estado descrito por Calvino. Logo, Calvino só pode estar defendendo a regeneração.

3. Outra coisa que demonstra claramente que Calvino entende esse texto como regeneração é o paralelo que ele mesmo faz com as passagens em que o Espírito Santo também é chamado de água.

Nessa citação em questão, ele não chega a mencionar esse texto, mas é interessante que vocês assistam ao vídeo já mencionado e comparem com os comentários dele de João 3.

Em João 3, é claramente falado sobre regeneração; Calvino entende o texto como regeneração e ainda diz que, assim como o Espírito Santo é chamado ali de água, em outro lugar Ele é chamado de fogo, referindo-se a Mateus 3:11.

Logo, se ele entende regeneração em João 3, e ele mesmo faz o paralelo com Mateus 3:11, então ele entende Mateus 3:11 como regeneração, e não como segunda bênção.

O texto de João 3 também deixa o senhor Eduardo Marques e sua doutrina da subsequência em uma situação complicada. Pois tanto Mateus 3 quanto João 3 tratam do mesmo assunto: regeneração.

O próprio Eduardo não nega isso, até onde sei, pois ele mesmo admite que o batismo com o Espírito Santo é regeneração e que é o fogo que representa uma segunda bênção.

Então, a pergunta que fica é: se ambos os textos falam de regeneração, a água de João 3 também é uma segunda bênção? Uma terceira?

Mas, se a água em João 3 se refere ao Espírito Santo como purificando na regeneração, por que o fogo de Mateus 3 seria uma segunda bênção? O que faz a diferença?

Logo, se os dois textos falam do mesmo assunto, se ambos têm títulos que descrevem o Espírito Santo em sua obra purificadora, ou ambos se referem à tal segunda bênção, ou ambos se referem à regeneração.

Deixo a critério do senhor Eduardo Marques provar que João 3 também se refere à segunda bênção; caso contrário, a única conclusão lógica é que ambos os textos se referem à regeneração.

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